vendredi, janvier 14, 2005

Isso é que é RU! Ja da biblioteca nao podemos dizer o mesmo...

Com certeza sou uma das pouquissimas pessoas no mundo que, daqui a alguns anos, vai poder dizer essa frase sem passar por mentiroso : "Eu vi a Ana Paula comendo no RU". Ta, tudo bem que nao é o da UFRGS, com suas bandejas de presidio central e tal, mas RU é RU em qualquer parte do mundo. E devo dizer que no daqui da ate gosto de comer.
Pra começar, nao se trata de um RU pra cada campus da Université: tem uns dez RUs espalhados pela cidade, é como se os restaurantes se associassem à Universidade e passassem a oferecer esse serviço aos alunos. E cada RU tem um cardapio melhor que o do outro. No do centro, por exemplo, pode escolher entre o menu tradicional (entrada + pao + queijo + prato quente + sobremesa), menu de massa (pao + queijo + massa + sobremesa) ou so pizza. Tudo com varias opcoes. Os outros dois em que a gente ja comeu, que sao no nosso campus, nao devem em nada a esse do qual eu falei, e às vezes até o superam. Sério mesmo, é muito bom comer no RU em Poitiers! Sem contar que custa so 2,50€, o que nao é nada pros padroes daqui. E claro que no primeiro dia em que fomos comer no RU pareciamos duas baratas tontas, sem saber pra onde ir, mas isso nao vem ao caso...
"Abobadice" maior mesmo foi quando fomos ao banco abrir nossa conta. Ficamos parados na frente da porta, que aparentemente estava trancada, olhando pra todos os lados sem saber o que fazer. Isso ate percebermos a existencia de um botaozinho do lado da porta. Entao, pra entrar, funciona assim: você aperta o botao "Sonner", e ai toca um sinal; você espera ("Patientez"), e quando a luzinha que diz "Passez" se acende, voce pode abrir a porta. Mas, você ainda nao esta dentro do banco. Ali, a gente fica preso entre duas portas, sendo filmados, e tem que repetir o procedimento do botaozinho. Uma baita burocracia, tanto pra entrar quanto pra abrir a tal da conta bancaria, mas acho que o sistema realmente inibe assaltos.
Agora, uma decepçao: o sistema das bibliotecas daqui é muito atrasado. Primeiro: nao ha um catalogo online pra voce procurar seu livro na biblioteca; tem que ir olhando fichinha por fichinha. Segundo: quem pega o livro e nao leva pra casa tem que ele mesmo botar no lugar. Obvio que com isso os livros ficam desorganizados, e mesmo depois de achar o livro nas fichinhas, você nao consegue achar ele na prateleira. Terceiro: nao ha um sistema central que organize todas as bibliotecas. Vou ilustar isso com o meu caso, ocorrido numa noite muito fria de janeiro:
Separei os livros pra pegar na Biblioteca da Economia, fui ate o balcao munido do meu cartao da biblioteca, e eis que o sujeito me diz que o cartao da biblioteca nao é pra ser usado na biblioteca, que eu deveria ir com ele ate a "Granbei", e dali em diante nao entendi mais nada. Segui as orientaçoes que o cara me passou, andei dum lado pro outro, e nao achei a tal "Granbei". Voltei la pra falar com o cara, isso tudo com a Ana se sentindo mal, e ele me diz mais ou menos o mesmo, que eu deveria ir na "Granbei" fazer alguma coisa com o meu cartao da biblioteca. Isso tudo meio antipaticamente, achando que era a coisa mais obvia do mundo a localizaçao da tal "Granbei". Sai dali, novamente perdido, e fui pedindo informaçao, até que uma mulher nos apontou onde era a tal "Granbei". Fui ate la, morrendo de frio, e descobri que quando ele falava "Granbei" ele estava dizendo "Grande B.U.", ou seja, a Grande Biblioteca Universitaria. Uma vez la, fui no balcao do terreo, expliquei minha situacao de estrangeiro desassistido, e o sujeito, verificando o meu cartao no computador, ve que eu nao existia pra universidade. Meu cadastro estava todo em branco! Dali, entao, fui mandado pro andar superior, onde apos muita confusao, o cara me cadastrou e me classificou (a classificacao define o numero de livros que a pessoa pode pegar. Alguem do mestrado, por exemplo, pode pegar mais livros que alguém da graduacao). E me disse, antes de me mandar de volta pro cara do andar de baixo, que eu tinha direito a pegar 5 livros, 2 VHS e 2 DVDs. Fui la, ai descobri que o cartao da biblioteca aquele era pra ficar de reserva la com eles, caso eu perdesse a minha carteira de estudante (que, alias, é um caso à parte: nao é algo tipo UFRGS ou PUC, um cartaozinho magnetico com codigo de barras; é uma folha de papel maior que A4, dividida em varias partes, e que voce tem que sair dobrando pra caber na carteira. Terrivel). Ja estava feliz, achando que tudo estava resolvido, quando, chegando na Biblioteca da Economia, o cara passa minha carteira de estudante e diz que com aquela classificaçao ele nao pode me emprestar os livros. Cada vez mais irritado, falei o que me disseram, dos 5 livros, 2 VHS e 2 DVDs, mas de nada adiantou. Voltei entao à Grande BU, falei com o homem que me havia atendido, uma mulher colega dele, e eles resolveram fazer uma teleconferência com a Biblioteca da Economia pra decidirem o meu caso. Agora sim, tudo certo, me reclassificaram, e voltei la pra pegar meus cinco livros. Mas que nada: so pude tirar 3. Ja estava tao cansado que nem fiquei discutindo muito pra pegar meus cinco livros. Nem na UFRGS tinha ido e voltado tantas vezes entre dois lugares.
Um episodio como esse serviu pra que eu me desse conta de que nao é porque estamos no primeiro mundo que tudo é melhor do que no Brasil. A PUCRS e até a UFRGS tem muito a ensinar à nossa universidade aqui nesse campo.
Abaixo, algumas fotos da nossa faculdade: