lundi, juillet 25, 2005

"Brasileiro inocente morto injustamente pela policia britanica"

Estamos impressionados como as manchetes na imprensa daqui e dai mudaram depois que descobriram que o cara morto pela policia no metro era brasileiro. Na sexta, dia da morte, as noticias eram algo do tipo: "Homem morto pela policia em metro depois de perseguicao. Policia ainda nao confirmou se a morte esta ligada a caca aos terroristas". Em todos os canais e jornais, ingleses ou brasileiros, era descrita a cena da seguinte forma: o cidadao tinha saido de uma casa que estava sendo vigiada pela policia portando uma roupa suspeita, um casacao, em um dia de temperatura agradavel em Londres. Uns vinte policiais seguiam ele, alguns a paisana, quando o interpelaram, pedindo para parar, ao verem que ele estava se dirigindo ao metro. O cidadao entao desobedeceu as ordens da policia, saiu correndo, pulou a catraca do metro, desceu correndo as escadas, e quando tentava embarcar no metro, levou um tiro, e depois de caido, levou mais quatro ou cinco para evitar que explodisse uma eventual bomba presa ao corpo. Ate aquele momento, ninguem questionava a conduta da policia, afinal o cara era suspeito, a situacao na cidade e de tensao, e ele simplesmente saiu correndo da policia se dirigindo a um vagao de metro. Tudo indicava que ele era um possivel homem-bomba.
Agora, depois que saiu a noticia de que o cara era brasileiro e inocente, tudo mudou. As noticias sao do tipo: "Homem morto pela policia era inocente. O cidadao, brasileiro, foi morto com cinco tiros ao tentar embarcar no metro". Ninguem mais menciona o fato de ele ter saido correndo da policia, inclusive pulando catraca! Para nao fazer injustica, a Folha ate citou isso no meio de uma reportagem hoje, mas como se fosse nada de mais, e por aqui parece que ate a BBC esqueceu esse fato. Resultado: boa parte da opiniao publica, principalmente as comunidades arabes e os defensores dos direitos humanos, comecaram a questionar a politica do "atirar para matar" da policia britanica, que esta em vigor desde as ultimas bombas. E como se tudo tivesse acontecido que nem o primo do brasileiro morto acha que foi, que disse que "Eles mataram a primeira pessoa que viram, isso é o que fizeram...Mataram meu primo, podem matar qualquer um".
E obvio que o governo brasileiro tem mais e que pedir explicacoes, e e obvio tambem que o pedido sincero de desculpas que a policia fez a familia do brasileiro e o maximo que eles podem fazer, mas as pessoas nao podem comecar a simplesmente ignorar alguns fatos. A situacao aqui esta tensa, Londres sofreu dois ataques em 15 dias e os homens-bomba que nao explodiram ainda estao por ai. O que a policia ja disse e que a politica do atirar para matar vai continuar, a maioria da populacao esta apoiando isso, segundo as pesquisas, e nos tambem, afinal e a nossa seguranca que esta em jogo. Claro que ficamos tri chocados quando vimos que o cara morto era brasileiro, mas fazer o que? Eles nao estao atirando em ninguem sem motivo, o cara saiu correndo da policia dentro de um metro, vestindo um casacao em pleno verao, um dia depois de tres bombas quase terem explodido em metros. Se o individuo fosse realmente um homem-bomba, iam todos reclamar da policia, que nao teria sido capaz de parar ele mesmo o estando seguindo. E parece que a nossa suspeita esta se confirmando: aparentemente, o cara estava ilegal aqui, com o visto vencido. So isso poderia explicar o fato de ele sair correndo da policia: o medo de ser deportado. Pena que isso custou a vida dele.

vendredi, juillet 22, 2005

Sobrevivendo aos atentados

Estavamos ontem voltando pra casa depois da nossa ultima aula de Macro, bem tranquilos, quando vimos uma caminhonete da Policia com a sirene no maximo volume passando muito rapido pelo corredor de onibus. Um pouco depois, outra viatura passou pelo mesmo lugar. Ali nos ja sentimos algo estranho no ar. Quando estavamos chegando em Russel Square, para irmos no supermercado que fica na frente da estacao de onde estao tirando os corpos dos atentados de duas semanas atras, os policiais estavam fechando a passagem. Ali tivemos certeza de que tinha algo acontecendo, e fomos direto pra casa para ver na BBC o que era (acabamos nem indo no pobre do supermercado, que estava fechado desde a quinta-feira dos atentados e tinha aberto exatamente ontem...). Quando chegamos em casa e vimos que tinham acontecido atentados que nem os do dia 07 nao conseguimos mais estudar direito pra prova. Nos, que ja nao andavamos de metro nem de onibus, agora sim e que nao vamos andar! So quem precisa muito mesmo. Enquanto isso o numero de bicicletas nas ruas vai aumentando...
A verdade e que nada de muito concreto esta sendo feito para prevenir esse tipo de ataque. As principais estacoes de metro estao com policiamento reforcado, mas ninguem e revistado. O mais ridiculo foi que, no dia do atentado, dia 07, subitamente todos os locais publicos ficaram super rigorosos com a entrada das pessoas. Aqui na biblioteca da LSE todos tinham que abrir suas mochilas pros segurancas verem o interior, no albergue comecaram a controlar se so entravam hospedes, mas no dia seguinte mais nada estava sendo feito, como se o perigo ja tivesse passado! Pelo menos hoje parece que a policia matou um terrorista num metro no Sul de Londres, quem sabe eles comecam a dar um jeito nisso...Enquanto isso, nos hoje fizemos a prova final de Macro, muuuito dificil pra variar. Hoje de noite vamos ver se saimos com o Lourenco pra comemorar o fim do primeiro curso, ou, que nem diz ele, “pra comemorar que estamos vivos”.

lundi, juillet 18, 2005

Fui trocado por um bruxinho de 16 anos!

Sexta-feira, 15 de julho de 2005, lancamento mundial do sexto livro do Harry Potter em Londres. Obvio que a Ana nao ia aguentar esperar a versao em portugues. Resultado: la estavamos nos, um pouco antes da meia noite, na frente da livraria, aguardando as portas abrirem. Enquanto isso, a fila ia crescendo, deve ter chegado a uns 50 metros, isso que fomos a uma livraria de bairro, nada grandioso. Os fas, super ansiosos, sairam da livraria comemorando a compra do livro, gritando, e todos batendo palma pro primeiro comprador - obviamente, nem eu nem a Ana estamos entre esses "fas". Quanto a Ana, ela nao para de ler o livro desde que o compramos. Impressionante, nunca tinha visto nada parecido, quando ela nao ta com ele so quer saber de voltar rapido pra casa pra continuar lendo.
Por falar em casa, ontem finalmente saimos do albergue e nos mudamos para a nossa casa. Encontramos ela nao muito limpinha, pra nao dizer meio sujinha, mas tudo bem. Pelo menos agora temos o nosso quarto, com mesa para estudos, TV digital, Video Cassete e DVD! Desde ontem andamos pelas ruas procurando uma locadora pra assistir uns filmes, mas ainda nao achamos...
Estamos morando com um escoces e um suico, mas ate agora so conhecemos o escoces, e o sotaque dele e realmente beeem diferente do sotaque que nos estamos acostumados a escutar. Ate setembro ficamos naquela casa, depois vamos ver o que fazemos, para onde vamos...
A ultima novidade pra contar e que hoje recebemos nossas notas do primeiro exame aqui da LSE, e a Ana tirou A- e eu A!!! Ficamos muito felizes, porque no comeco do curso estavamos pensando em nem fazer a prova, de tao apavorados que estavamos com o nivel das aulas. Agora e so estudar pra manter o nivel na prova final dessa sexta, mas pra isso acho que eu vou ter que esconder o livro do Harry Potter...

jeudi, juillet 14, 2005

Dois minutos de silencio

Hoje Londres fez dois minutos de silencio pelos atentados da quinta passada. Foi inacreditavel, nunca vi nada parecido no Brasil. O professor deu um intervalo maior por isso, uma meia hora. Eu nao estava entendendo, por que nao fazer o silencio na aula? Fomos ao bar, pensei que de repente a TV estaria ligada mostrando alguns lugares com um aglomerado de gente em silencio, nao sei, alguma praca, algo assim. No bar, tinha um aviso: "fecharemos as 11:55 e reabriremos as 12:05 para observar os dois minutos de silencio pelas vitimas do atentado". As 11:55, o bar fechou e seus funcionarios desceram para a rua, e nos descemos atras deles para ver o que afinal iria acontecer.
Perto do meio dia, todos sairam do campus e foram para as calcadas da rua. Ao longo da avenida, tinha muitas, muitas pessoas. Os restaurantes e lojas estavam todos fechados, e todas as pessoas dos predios estavam na rua. Os onibus pararam, e tambem os taxis, as motos e todos os carros, e todos desceram de seus veiculos para a rua. Ao meio dia, o silencio era total. Ninguem falava, nenhuma pessoa nem nenhum carro andava, todos estavam parados, e em geral com a cabeca baixa. Dois minutos depois, os carros recomecaram a andar, as pessoas a se mexer e tudo voltou ao normal. Foi emocionante, de verdade, nunca tinha visto e nem esperava algo assim.
O blog esta meio parado, e verdade, mas a faculdade aqui anda puxadissima, por isso nao temos escrito muito (nem no blog nem para as pessoas...). Mas um dia desses voltamos para contar um pouco da nossa experiencia em Londres.

jeudi, juillet 07, 2005

Estamos bem

Estamos bem, estavamos em aula quando as bombas explodiram, embora no caminho pra LSE ja tivessemos visto algumas viaturas da policia se movendo com sirenes. Algumas das explosoes foram perto do nosso albergue, inclusive achamos que um dos onibus explodiu na propria rua do albergue - mas ele e um pouco afastado da rua, entao achamos que deve estar tudo bem por la. Parece que uma bomba explodiu tambem na estacao em que pegariamos metro, se nos andassemos de metro e nao a pe por Londres...
Os servicos de transporte estao parados, a excecao dos trens (que ligam Londres aos suburbios); os telefones nao estao funcionando direito, e ainda nao conseguimos nos comunicar com os nossos amigos Lourenco, Alexandre, Guilherme e Eduardo, mas acreditamos que tudo esteja bem, pois as explosoes nao foram exatamente no trajeto deles.
A LSE foi super atenciosa com os alunos, entraram nas salas informando o acontecido e aconselhando a todos para ligarem para suas casas para informar que tudo estava bem. Eles tambem estao conferindo quem esta faltando hoje, pra ver se esses podem ter sido atingidos pelas explosoes - esperamos que nada tenha acontecido, mas dois colegas brasileiros nossos nao apareceram na sala de aula hoje. Esperamos que tenham ficado dormindo ou que tenham trocado de curso. As autoridades estao aconselhando as pessoas para nao sairem de onde estao, nao importa onde isso seja, e o que nos vamos fazer ate de noite, ficar na biblioteca ate ela fechar.
Agora temos aula, entao vamos ter que parar por aqui. Qualquer novidade avisamos. Mais uma vez, estamos bem, e vamos tentar falar com os nossos amigos.
PS: acabamos de receber mensagem do Alexandre e do Lourenco dizendo que eles estao bem.